quinta-feira, 24 de setembro de 2015

"A César o Que é de César", Contraespionagem e Economia Política





Segundo Lucas, ao ser indagado por Agentes provocadores (espiões) acerca de sua lealdade tributária ao Estado Romano, Jesus Cristo teria evitado a incriminação ao responder: "De quem é o rosto estampado neste moeda? Não é o de César? Dai, então, a Cesar, o que é de César e, a Deus, o que é de Deus".

Mais que separar a religião do Estado, o comentário é excelente lição de Contrainteligência e Economia Política. Explico.

Agentes provocadores são espiões infiltrados em uma organização ou evento com a intenção de sabotar seu planos com comentários falsos, alarmistas ou denuncistas. A ideia é provocar reações do ator político ou econômico (pessoa ou organização) que justifiquem ações de repressão. Exemplo: Omitir a segurança pública em eventos de organizações culturais para provocar ou facilitar a violência para, depois, justificar a proibição do evento ou extinção da organização ou “infiltrando o agente no sistema operativo da organização adversa ou oponente. Neste caso, a infiltração visa, basicamente, neutralizá-la” (Portaria Reservada nº 22, de 24.04.2009 - Estado-Maior do Exército - Aprova o Manual de Campanha C 30-03 - Contrainteligência. Pub BRE 06/2009).

Fariseus e herodianos infiltrados nas palestras do revolucionário rabino não conseguiam prejudicá-lo com ações de Contrainteligência porque ele estava preparado, precavido.

E a lição de Economia Política, onde está?

Dinheiro ou papel-moeda nada mais são que Notas promissórias, promessas de pagamento do Estado. Por isso lá trazem as assinaturas do Ministro da Fazenda, Presidente do Banco Central etc. Ao emitir e entregar papel-moeda, o Estado promete que bens e serviços de preço equivalente sejam entregues em troca.

Para realizar obras, prestar serviços públicos e pagar servidores e colaboradores da organização "Estado", a administração pública recolhe tributos diversos e emite papel-moeda em um equilíbrio precário para evitar sua desvalorização.

Ao realizar gastos maiores que a arrecadação de impostos, ou mesmo emitir papel-moeda demais para fazer frente a esses gastos, a oferta de dinheiro aumenta e ele desvaloriza, perde seu poder-de-compra.

Cobrar mais ou menos impostos e gastar mais ou menos com supérfluos são políticas de Estado que podem se revelar eficazes ou inúteis ou mesmo destruidoras a longo prazo.

Esses são aspectos e circunstâncias econômicas da desvalorização da moeda, símbolo econômico máximo de uma organização estatal.

Porém, do mesmo modo que religião difere mas interfere no Estado, a política também influencia a economia e (in) decisões ou más-escolhas dos administradores públicos acabam por prejudicar sua reputação, quer em nível econômico quer em nível político/administrativo, fazendo com que o mercado e os contribuintes percam a confiança no Estado. A promessa passa a perder o sentido...

Portanto, além das razões econômicas como a falta de equilíbrio fiscal e a desorganização, a falta de confiança na sua administração e promessas não cumpridas também pode causar a falência de um Estado, a começar por um de seus símbolos “sagrados”, o dinheiro.

A desvalorização do Real frente ao dólar, a moeda dos negócios internacionais, é reflexo da incapacidade técnica ou improbidade dos administradores públicos nacionais, com consequências graves para o Estado e seus cidadãos. Empresas, profissionais liberais e servidores de alto-escalão aparentemente blindados pela alta dos preços também estão sob ameaça de paralisação das atividades econômicas ou mesmo a falência de suas organizações devido ao aumento exponencial dos tributos e da violência urbana decorrente da pobreza e desigualdade social.

Sem confiança no Estado, o aumento dos impostos e a perda do poder-de-compra da moeda, os contribuintes pessoa física e jurídica podem se insurgir com ações de “desobediência civil” (Hobbes, Rousseau etc.) como

1) Não recolhimento de impostos por omissão de receita (sonegação) ou simples inadimplemento;

2) Substituição do papel-moeda nacional por dólar (US$) ou outra moeda como o Bitcoin (฿); ou ainda;

3) simplesmente deixando de usar dinheiro mediante escambo ou troca de serviços (que também não gera receita com impostos).

O Império Romano não sucumbiu a ideia “Cristianismo” porque soube usá-la em proveito próprio.

O Estado brasileiro precisa merecer a confiança do Povo, diminuir a carga tributária, gastar menos com privilégios e mais com com educação, saúde e saneamento básico. O efeito psicológico geral que a confiança e a boa-reputação causará nos cidadãos, seguidores do Estado, tem efeito econômico e político incomensuráveis. 

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