segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

TELEFONES MÓVEIS DO BRASIL PODEM SER ALVO DA ESPIONAGEM ANGLO-ESTADUNIDENSE POR MEIO DOS CARTÕES SIM DA HOLANDESA GEMALTO

                         Gemalto

A empresa de segurança digital holandesa Gemalto declarou nesta sexta-feira estar investigando as informações divulgadas pelo site The Intercep, segundo as quais os sistemas da companhia foram invadidos pelas agências de inteligência dos Estados Unidos e do Reino Unido.


A revista digital divulgou na quinta-feira que a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) e a britânica Sede de Comunicações do Governo (GCHQ) invadiram o sistema da empresa para roubar chaves de criptografia usadas para proteger a privacidade das comunicações de telefones celulares. O site cita como fonte documentos fornecidos pelo agente da inteligência norte-americana, Edward Snowden.
A GCHQ recusou-se a comentar a acusação. No caso da NSA, não foi possível entrar em contato com a agência.

A Gemalto produz atualmente 2 bilhões de cartões SIM por ano, usados por 450 operadoras de telefonia celular em todo o mundo, incluindo gigantes do setor como AT&T, T-Mobile, Verizon e Sprint. De origem holandesa, a Gemalto tem sedes em todo o mundo, inclusive no Brasil, onde mantem fábricas em Curitiba e fornece serviços e produtos para as principais operadoras do país.

Apesar de não ter sido possível estabelecer a parcela de chips SMS da Gemalto usados pelas maiores operadoras brasileiras, sabe-se que a partir de fevereiro desde ano a Nextel adotou no país o chip SIM 3 em 1, fornecido pela Gemalto e compatível com os 3 formatos de chips atualmente disponíveis no mercado.
Além disso, no Brasil, a Gemalto administra um hub de smart messages conectado às quatro maiores operadoras do país: Vivo, Tim, Claro e Oi. Atualmente o hub registra cerca de 400 milhões de smart messages por mês. A Gemalto espera, no entanto, que em 2015 esse volume cresça 50%, alcançando um volume mensal de 600 milhões.

Brasil é hoje o líder mundial em volume de smart messages, um SMS especial entregue na tela do celular como um “pop-up” e que oferece aos clientes a possibilidade de adquirir e ativar diversos serviços oferecidos. A tecnologia funciona com base nos chips SIM e é compatível com qualquer tipo de aparelho móvel.

Em 2013, a Gemalto inaugurou uma nova unidade industrial em Pinhais (PR), ampliando a sua fábrica que já existia na cidade. A planta atende não apenas ao mercado nacional, mas também a América Latina e algumas regiões da África, produzindo componentes voltados para segurança digital, como cartões SIM, tecnologia contactless, NFC e chips LTE.

Falando em mercado chinês, o maior em telefonia móvel do mundo, a Gemalto se faz presente desde os anos 1990. Últimos dados oficiais mostram que em 2010 a China era responsável pela compra de aproximadamente 45% de todos os chips SIM fabricados pela Gemalto no mundo. Sabe-se que atualmente a empresa tem parcerias com as maiores operadoras do país, como China Mobile, China Unicom e China Telecom. 


Fonte: http://br.sputniknews.com//mundo/20150220/225536.html#ixzz3Sak87Gin

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

SWISSLEAKS: HSBC SERVIU PARA ESQUEMAS DE EVASÃO DE DIVISAS, FRAUDE FISCAL E “LAVAGEM” E OCULTAÇÃO DE DINHEIRO

Banco é associado a desvio de impostos e lavagem de dinheiro de atividades ilegais e diz que mudará 'radicalmente' suas exigências. Até agora, o único procurado pela justiça suíça é o autor das denúncias

            hsbc.jpg

Brasília – O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICGI, na sigla em inglês) divulgou neste domingo (8) documentos confidenciais sobre o ramo suíço do banco britânico HSBC, que revelam supostos esquemas bilionários de evasão fiscal .
A investigação, batizada "Swissleaks", revela documentos fornecidos por Hervé Falciani, ex-funcionário do HSBC em Genebra, ao jornal francês Le Monde e compartilhado com o consórcio e com 45 jornalistas de mais de 40 países.
As informações dizem respeito a contas no valor de mais de US$ 180 bilhões, englobando 106 mil clientes de 203 países. Boa parte deste dinheiro teria servido para fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo internacional.
A relação de clientes foi entregue ao Le Monde por Hervé Falciani, técnico de informática italiano que trabalhava na filial suíça do HSBC. Ele repassou informações bancárias de milhares de clientes às autoridades francesas, que, então, compartilharam com outros países europeus.
As fraudes e os nomes dos envolvidos, batizados de "Lista Falciani", foram publicadas domingo por um consórcio de mais de 50 meios de comunicação, liderados pelo Le Monde.
Segundo o ICGI, a filial suíça do HSBC tem entre seus clientes, chefes de estado e políticos de governos como o da própria Grã-Bretanha, da Rússia, Ucrânia, Quênia, Índia, Lichtenstein, México, Líbano, Tunísia, Paraguai, Senegal, Argélia, Jordânia e Marrocos, entre outros. A lista inclui ainda tenistas, pilotos de corrida, jogadores de futebol, astros e estrelas da música e do cinema.
O documento, diz o ICGI, joga luz sobre a ligação entre negócios considerados lícitos e o crime organizado, além de ampliar suspeitas sobre o comportamento ético de um gigante do setor financeiro internacional.

Transformação

Depois de acusada de ajudar milhares de clientes a evitar o pagamento de impostos, o HSBC suíço disse em nota divulgada hoje (9) que tomará medidas para evitar fraudes e lavagem de dinheiro.
"O HSBC (da Suíça) realizou uma transformação radical para evitar que os seus serviços sejam utilizados para fraudar o fisco ou para a lavagem de dinheiro", disse o diretor-geral da filial, Franco Morra, no comunicado enviado à agência de notícias France Presse.
"O HSBC acolheu um certo número de clientes que não estavam totalmente de acordo com suas obrigações fiscais. A cultura de aceitação e os padrões de bom comportamento eram claramente mais baixos dos que os de hoje", admitiu o banco.
De acordo com Morra, a nova direção do banco fez uma análise profunda de todos os negócios, encerrando as contas que não correspondiam aos padrões da entidade.
O diretor-geral afirmou ainda que as práticas reveladas ontem "devem servir de alerta e lembrar a todos que este modelo dos bancos privados da Suíça não é mais aceitável."

Ônus da prova

De acordo com informações da agência Efe, a Suíça não abriu processos judiciais contra o HSBC e seus diretores. A instituição do país responsável por regular a atuação dos bancos também não tomou atitudes sobre o fato e nem mesmo solicitaram acesso às informações divulgadas.
A única ação sobre o caso na justiça suíça sobre o assunto é contra Falciani, acusado de espionagem financeira, de violar o sigilo bancário e o segredo comercial, e de apropriação indevida de dados dos clientes.
A Suíça pediu à Espanha a extradição de Falciani, onde ele tinha sido detido após uma ordem internacional de captura solicitada pelas autoridades do país. A Audiência Nacional da Espanha rejeitou a extradição argumentando que Falciani apenas revelou as ações ilegais do banco.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Ferramentas digitais para jornalistas investigativos e profissionais de Inteligência



Os jornalistas investigativos muitas vezes olham para os números para apoiar ou alimentar suas reportagens, mas os dados que eles precisam nem sempre podem ser encontrados em uma planilha organizada ou reunidos diretamente de uma fonte.

"Como jornalista, obviamente, sua principal ferramenta é falar com as pessoas, é ser capaz de fazer as perguntas certas para as pessoas certas", disse Friedrich Lindenberg, bolsista Knight do ICFJ (Centro Internacional de Jornalistas), em um webinário sobre ferramentas digitais para o jornalismo investigativo. "Isso ainda é verdade em muitos aspectos, mas agora você pode fazer as perguntas certas usando os bancos de dados corretos. Você pode fazer as perguntas certas usando as ferramentas certas."

O webinário, realizado pelo ICFJ Anywhere e Dow Jones Foundation, ajudou a resumir esta lista sempre crescente de recursos para os jornalistas, explorando ferramentas que simplificam maneiras de pesquisar documentos laboriosos e transformar PDFs em dados fáceis de visualizar.

Analise, pesquise e publique documentos
DocumentCloud permite ao usuário rastrear onde e quantas vezes pessoas ou empresas aparecem em documentos, tornando-se um serviço útil para vasculhar documentos judiciais ou coletivos, disse Lindenberg. Ao invés de olhar mais de 200 páginas de informação, os repórteres podem passar diretamente para as áreas do documento sobre a pessoa ou empresa em questão.

Órgãos de imprensa e jornalistas têm utilizado a ferramenta para examinar e divulgar tudo, desde documentos do WikiLeaks, a contratos da cidade, a relatórios, e memorandos raramente vistos.

Você pode usar DocumentCloud para:
- Pesquisar outros documentos lançados publicamente por organizações de notícias
- Visualizar documentos de forma privada 
- Compartilhar documentos com o público, ou outros repórteres
- Adicionar notas aos documentos, comentando ou destacando passagens
- Incorporar partes do documento diretamente em seu artigo de notícias online
A ferramenta começou como um projeto conjunto entre a ProPublica e o New York Times, mas agora é gerido pelo grupo Investigative Reporters and Editors. Para usar a ferramenta, você precisa ser membro de uma organização de notícias.

Lindenberg e o Code for Africa estão desenvolvendo uma ferramenta similar chamada sourceAFRICA, e ele está disposto a deixar você experimentá-lo (o DocumentCloud é de fonte aberta, para que outros possam usar o seu código para criar produtos idênticos). Por isso, Friedrich incentivou que jornalistas interessados em utilizar o serviço simplesmente enviem um e-mail para ele (friedrich@pudo.org). 
O bolsista também recomendou a ferramenta Overview, que organiza as informações em seus documentos, contando a frequência com que palavras ou temas aparecem em textos. Você pode marcar semelhanças que encontrar e criar visualizações com base na informação. Qualquer um pode usar a ferramenta de importação de documentos do DocumentCloud, ou carregar PDFs de maneira direta.

Saiba mais sobre as empresas
Se você está investigando uma determinada empresa e precisa encontrar mais informações, experimente o OpenCorporates. O sistema de banco de dados gratuito permite ao usuário pesquisar cerca de 55 milhões de empresas registradas em mais de 75 jurisdições. Usando esta ferramenta, você também pode ver se um diretor é proprietário de outras entidades além da sua empresa principal.
Se você estiver no Reino Unido ou cobre os negócios de lá, você também pode tentar DueDil. É semelhante a OpenCorporates, mas é utilizado especificamente para empresas no Reino Unido.
E caso queira se aprofundar em contratos, vá para o Investigative Dashboard. Nele, é possível encontrar onde certos governos fazem negócios com empresas privadas, e investigar quem possui certas propriedades intelectuais. Também pode encontrar links para bancos de dados online adicionais com informações sobre empresas, e quem são os diretores.
A melhor parte sobre o Investigative Dashboard, Lindenberg acrescentou, é que você pode interagir com outros seres humanos que usam sua mesa de pesquisa. Se, por exemplo, parte de sua reportagem é baseada em outro país, pode pedir aos jornalistas e pesquisadores daquela pátria para fazerem investigações adicionais que você não pode fazer à distância.

Obtendo dados
Chamando-o de "porta de entrada para o jornalismo de dados", Lindenberg recomendou Tabula para ajudar a extrair dados de PDFs. Essa ferramenta consegue tirar estatísticas e tabelas de documentos longos, e também permite converter uma tabela de dados em PDF  em uma planilha onde você pode ver as fórmulas por trás dos números finais.



segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Logotipo do satélite espião dos EUA imita super-polvo vilão gigante do espaço que envolve a Terra em charge de propaganda anticomunista

                     Spytopus

Over the past couple of years, the world has been made very aware of the of various governments’ tendrils of espionage. Just yesterday, we learned that the NSA and other intelligence agencies teamed up to spy on World of Warcraft and Xbox Live, demonstrating the lengths that those agencies would go to gather intelligence. Like the internet’s infamous rule 34, at this point we should just all assume that if something is able to be spied on, some government somewhere is spying on it. Perhaps the US government isn’t hiding its intent anymore, because it slapped an image of a space octopus eating our planet on a new spy satellite.
The new surveillance satellite, launched by the National Reconnaissance Office last Thursday, features the ominous, world-eating space octopus, seen below.
              NRO octosatellite
While the logo of an octopus wrapping its tentacles around the globe — complete with the text “Nothing is Beyond Our Reach” — may seem like a patch a supervillain would sew onto the jumpsuits of his henchmen, the NRO sees it differently. Talking to Forbes, a spokeswoman said the satellite is “represented by the octopus, a versatile, adaptable, and highly intelligent creature,” going on to say that tentacles symbolize being able to reach the country’s enemies no matter where they’re located.
Even if the satellite has an angry-looking space octopus as its chosen symbol, the launch was a sight to behold.

Ars Technica commenter, PsionEdge, pointed out that the imagery used on the satellite is quite similar to communist-related propaganda, seen below.
               Octommunist enemy
This symbol isn’t exactly making anyone feel better about the US government’s data collection intent. However, we all know governments spy, so they might as well own up to it. This symbol is a good start; maybe the next giant angry octopus will be painted green?

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Relatório afirma que torturas foram mais brutais do que a CIA admitiu

As torturas e os métodos de interrogatório utilizados pela CIA contra suspeitos de terrorismo foram muito mais brutais do que se admitiu até agora e não apresentaram resultados, afirma um relatório do Senado americano divulgado nesta terça-feira.

Na introdução do documento, a senadora Dianne Feinstein, líder do Comitê de Inteligência, não deixou dúvidas sobre o resultado das investigações: "É a minha conclusão pessoal que, em qualquer acepção do termo, os presos da CIA foram torturados".
O documento de 525 páginas, que inclui parágrafos inteiro cobertos por tinta preta para proteger informações confidenciais, é um resumo da versão de 6.000 páginas mantida em sigilo e diz que a CIA impediu o Congresso e a Casa Branca a terem acesso às informações sobre o ocorrido e mentiu às autoridades.

O texto toma muito cuidado no uso da palavra "tortura", preferindo o eufemismo "técnicas reforçadas de interrogatório", que tinha sido adotado no governo do presidente George W. Bush.
O documento contém duras revelações sobre o programa secreto implementado pelo governo do presidente George W. Bush (2001-2009) para interrogar pessoas consideradas suspeitas de vínculos com a rede Al-Qaeda depois dos ataques de 11 de setembro de 2001.

Os suspeitos foram submetidos a técnicas que incluíam afogamento simulado, detenção por longos períodos em posições incômodas, proibição de dormir, entre outros métodos aplicados em centros clandestinos mantidos pela CIA e na prisão da base militar de Guantánamo, em Cuba.
O documento, apresentado publicamente nesta terça-feira, afirma categoricamente que os métodos brutais de interrogatórios aplicados pela CIA "não foram uma maneira eficiente de obter informações precisas ou a cooperação dos detentos", e destaca que, apesar disso, a CIA sempre insistiu na eficácia do sistema.

A avaliação do Senado também denuncia que a agência de inteligência americana "não realizou uma contagem profunda e precisa do número de pessoas que prendeu e do número de detentos que não reuniam o mínimo de condições de serem detidos".
De acordo com o comitê investigador, a CIA "não estava preparada quando começou a operar seu Programa de Detenção e Interrogatório, mais de seis meses depois de ter recebido autorização para manter presos".

Além disso, os programas de "métodos melhorados de interrogatório" foram desenhados por dois psicológicos contratados. "No ano de 2005, a CIA dependia pesadamente de operações terceirizadas ligadas ao programa", diz o documento.

O texto também acusa a CIA de ter apresentado "informação incorreta" entre 2002 e 2007 ao Departamento de Justiça sobre o alcance e os efeitos da tortura, assim como impedir que o Congresso consiga supervisionar a aplicação deste método de interrogatório.
Desta forma, "a CIA impediu a supervisão pela Casa Branca e a tomada de decisões", prosseguiu o informe.

A própria administração do programa de interrogatórios por parte da CIA "complicou e, em alguns pontos, impediu" a ação de outros departamentos do Poder Executivo.

Um parágrafo do informe também destaca que "a CIA coordenou o vazamento de informação secreta para a imprensa, inclusive informação incorreta sobre a eficácia" dos interrogatórios sob tortura.
Pouco depois de divulgado o documento, o presidente Barack Obama publicou uma nota na qual afirmou que a tortura era "contrária aos nossos valores".

O governo que precisou planejar uma resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001 enfrentou "escolhas difíceis", disse Obama.
"Como já disse antes, nossa nação fez muitas coisas bem nestes anos difíceis. Mas ao mesmo tempo, algumas ações tomadas eram contrárias aos nossos valores", afirmou.

Por isso, acrescentou, "proibi a tortura quando assumi a Presidência".

O diretor da CIA, John Brennan, insistiu nesta terça-feira em que a aplicação de métodos brutais de interrogatório ajudaram a prevenir atentados.

Ele admitiu que erros foram cometidos, mas acrescentou que a revisão dos métodos iniciada pela própria CIA chegou à conclusão de que estes interrogatórios brutais "produziram informação de inteligência que ajudou a impedir ataques, capturar terroristas e salvar vidas".

Dirigentes do opositor Partido Republicano questionaram a conveniência da divulgação e o custo excessivo do informe (US$ 40 milhões) para os contribuintes americanos.

O informe sobre a investigação promovida pelo Senado e realizada entre 2009 e 2012 foi finalmente publicado, apesar do secretário de Estado, John Kerry, alertar na semana passada para o impacto negativo que poderia ter para os interesses americanos no mundo.

As embaixadas dos Estados Unidos amanheceram em alerta máximo por possíveis represálias antes da divulgação dessa investigação.

O secretário americano de Defesa, Chuck Hagel, também informou que as forças militares do país se encontram em "estado de alerta máximo".

"Ordenei aos comandantes que fiquem em estado de alerta máximo em todo o mundo", disse Hagel em declarações à imprensa durante uma visita inesperada a Bagdá.

Ele ressaltou que até o momento não foram identificadas ameaças concretas.

Fonte: www.istoedinheiro.com.br


terça-feira, 25 de novembro de 2014

O DATAMINING PODE MESMO AJUDAR INVESTIDORES?

            

James Crawford vê dinheiro em lugares estranhos, até escondido nas sombras produzidas por edifícios chineses em construção.
O ex-engenheiro do Google Inc. é parte de um grupo de empreendedores que vende análises de dados obscuros para operadores do mercado que estão sempre procurando obter vantagem, mesmo que mínima.
Em muitos casos, o valor ainda não foi provado, mas analistas dizem que há um mercado crescente entre investidores sofisticados interessados em partículas de informação que não estão amplamente disponíveis.
Um exemplo são as sombras dos prédios chineses que, segundo Crawford, podem ajudar a entender se o boom da construção do país está acelerando ou recuando. A empresa de Crawford, a Orbital Insight Inc., analisa imagens de satélites das obras em 30 cidades chinesas, com a meta de fornecer a operadores dados independentes para reduzir a dependência em estatísticas do governo. Crawford, que dirigiu o projeto do Google de digitalizar milhões de livros e torná-los pesquisáveis, diz que entre os primeiros clientes da empresa estão fundos de hedge bilionários, mas não revela nomes ou os preços que cobra.
A Orbital também vende análise de imagens de satélite de plantações de milho para estimar a produção e do tráfico em estacionamentos, que ajudam a prever as vendas do varejo e os resultados financeiros trimestrais de empresas como o Wal-Mart Stores Inc.
Outras firmas jovens querem usar as redes sociais, financiamento coletivo (ou "crowdfunding") e outros conjuntos de dados praticamente inexplorados para fornecer aos operadores informação em primeira mão e indicadores macroeconômicos.
"Há tanta correlação nos retornos do mundo da gestão de ativos que é cada vez mais importante encontrar formas de obter novos tipos de dados", diz Ronnie Sadka, professor de finanças da faculdade de administração Carroll, da Universidade Boston College.
Mas analistas alertam que os operadores devem ter cuidado. "Eu colocaria isso na categoria experimental", diz Paul Rowady, analista sênior da firma de pesquisa Tabb Group. "Esses produtos são atraentes na superfície, mas há um grande desafio para transformá-los em indicadores para realizar negócios." Só para a análise do tráfego em estacionamentos, a Orbital comprou um milhão de imagens de operadoras de satélites e construiu sistemas computacionais para gerar potenciais indicadores de transações a partir dos dados.
"Isso é apenas o começo", diz Crawford, que já foi vice-presidente sênior da Climate Corp., empresa de San Francisco que usa dados climáticos para ajudar agricultores a prever a produtividade da safra. A Monsanto comprou a empresa por mais de US$ 1 bilhão em 2013.
A Orbital Insight, cujos investidores iniciais incluem a empresa de capital de risco Sequoia Capital, do Vale do Silício, está em vias de receber até US$ 8 milhões em uma nova rodada de captação de recursos.
A Dataminr Inc., que vasculha cerca de 500 milhões de tweets por dia para buscar informações que mexam com o mercado antes que cheguem ao noticiário, foi uma das primeiras a crescer nesse campo. Fundada por três ex-colegas da Universidade Yale, ela está entre uma série de firmas que usa o migroblog Twitter Inc. como "fonte" da torrente de dados que seus servidores filtram todos os dias.
Os sistemas da Dataminr categorizam e analisam cada tweet em tempo real, separando o spam e comparando informação com outras fontes de notícias, preços de mercado, padrões climáticos e outros dados para determinar sua importância. Os sistemas também checam se um usuário em particular se mostrou confiável em certos assuntos no passado.
Em setembro, quando o jornalista independente Brian Krebs postou no Twitter que a varejista de materiais de construção americana Home Depot "poderia ser a mais recente vítima do vazamento de dados de cartão de crédito", os sistemas da Dataminr rapidamente identificaram o dado como "um sinal digno de nota" aos seus clientes.
O alerta foi para seus assinantes - entre eles 60 bancos e fundos de hedge - 15 minutos antes da informação chegar aos sites de notícias e antes que a ação da Home Depot caísse 2%.
"Não dá mais para ignorar as redes sociais como fonte de dados", diz Ted Bailey, diretorpresidente da Dataminr.
Um banqueiro sênior que assina os serviços da empresa diz que seus operadores viram a primeira informação sobre as bombas da Maratona de Boston em abril de 2013 no aplicativo da Dataminr para desktop. Eles ajudaram alguns clientes a fazer "hedge" em suas posições na bolsa de valores, que começou a cair logo depois que a mídia passou a cobrir o ataque.
"Os clientes têm cerca de 50 pessoas com quem falam todos os dias", diz ele. "É difícil se diferenciar dos demais. Ter melhores informações pode fazer uma grande diferença." Outra startup, a Premise Inc., realiza pequenos pagamentos - frequentemente na forma de crédito para celulares - para pessoas ao redor do mundo que monitoram preços de bens, dando uma ideia inicial para a empresa das mudanças das taxas da inflação e outros indicadores econômicos.
A ideia que move os dados macroeconômicos da Premise é que o mundo real é frequentemente diferente da narrativa oficial. A empresa distribui grande parte dos dados gratuitamente, mas ela tem alguns clientes financeiros que buscam pistas sobre a direção da inflação em lugares como Índia e China. A Premise tem pessoas contribuindo com dados em 68 cidades de 18 países.
"Em certas partes do mundo, não há fontes confiáveis de dados sobre as condições econômicas", diz David Soloff, diretor-presidente da Premise. "Nossa meta é alimentar a transparência."

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Contrainteligência da Policia Federal detecta possível ligação entre o Hezbollah (Líbano) e o Primeiro Comando da Capital (Brasil)

Documentos denunciam ainda suposto riscos de um atentado terrorista no Brasil; Facção brasileira tem acesso a armas libanesas e, em troca, oferecem proteção nos presídios do País




O jornal O Globo denunciou, neste domingo, que criminosos estrangeiros do grupo Hezbollah - movimento político e militar, xiita e libanês que se autodenomina "Partido de Deus" - construíram uma parceria com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que atua nos presídios brasileiros, principalmente em São Paulo. 
Segundo o jornal, relatórios produzidos pela Polícia Federal mostram que traficantes do grupo libanês abriram canais para o contrabando de armas destinadas ao PCC e ainda ajudou-os a intermediar uma negociação de explosivos. Em troca, os brasileiros prometeram dar proteção a integrantes dessa quadrilha que já estão detidos no Brasil.

A aliança teria começado a ser montada em 2006, mas as primeiras provas só foram descobertas dois anos depois. A notícia da associação criminosa surgiu de um informante da PF e a veracidade da informação foi confirmada pela área de inteligência, que monitorou alguns suspeitos em São Paulo e no Paraná. 
O trabalho de monitoramento feito pela PF inclui ainda missões para vigiar estrangeiros de origem libanesa que circulavam pelas cidades de Foz, Ciudad del Leste e Porto Iguazu, na Argentina. Os documentos reúnem desde listas de nomes e períodos de hospedagens em hotéis até registros de um suposto risco de atentado terrorista no Brasil.
No dia 28 de agosto de 2008, o relatório de inteligência assegura que recebeu informe de “fonte não comprovada” de que um estrangeiro “integrante de uma organização terrorista” estaria viajando para Brasília para executar plano de assassinato. Há ainda a descrição de ações na Ponte da Amizade, na fronteira entre Brasil e Paraguai.
Para as autoridades americanas, a região de fronteira que separa Brasil Argentina e Paraguai sempre foi palco de atuação de grupos ligados ao terrorismo. Ainda segundo os EUA, o dinheiro do tráfico de drogas é uma das principais fontes de financiamento de entidades terroristas.